Quando penso nos pais de antigamente, lembro de figuras sérias, que saíam cedo para o trabalho, voltavam tarde e, muitas vezes, ficavam mais como espectadores do que protagonistas na vida diária dos filhos. Meu avô, por exemplo, era um homem bom, mas sua forma de demonstrar afeto era garantir comida na mesa e um teto sobre a cabeça. Brincar no chão, trocar fraldas ou levar na escola? Isso, naquela época, era considerado coisa “de mãe”.
Mas hoje, quando olho ao redor, vejo um cenário diferente e, sinceramente, muito mais bonito. Pais que carregam o bebê no sling, que fazem questão de estar na reunião da escola, que postam com orgulho o desenho que o filho fez, mesmo que pareça mais um rabisco indecifrável. Pais que choram de emoção na apresentação de Dia das Mães, porque também se reconhecem naquela homenagem.
Não é que os pais de antes não amassem seus filhos, amavam, e muito. Mas o jeito de amar era mais distante. Hoje, os pais parecem ter aprendido que presença não é só estar na mesma casa, mas participar, ouvir, brincar, cuidar. A paternidade deixou de ser só sobre prover, passou a ser também sobre viver junto.
E isso não é pouca coisa. Ser pai hoje é, muitas vezes, quebrar modelos antigos e criar um novo caminho. É entender que não existe “ajudar” a mãe, existe criar junto. É assumir que um choro às 3h da manhã também é sua responsabilidade. É descobrir que segurar a mão de um filho, mesmo quando ele já anda sozinho, é um gesto que não perde o sentido com o tempo.
Os pais de hoje carregam um peso diferente, mas também um privilégio: o de viver a paternidade de forma mais plena, mais afetiva, mais presente. E, no fundo, acho que todos filhos e pais saem ganhando. Porque no futuro, quando esses filhos olharem para trás, vão lembrar de um pai que esteve lá. E isso vale mais do que qualquer coisa.
Este texto dedico, em especial, ao meu marido. De todas as suas versões incríveis, com certeza, a de PAI é a mais completa e linda! Obrigada por tanto!

